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FLUORESCÊNCIAS
um curta metragem por Rachel Rosalen

 

Frames da curta metragem

Ver o curta

Making of de Fluorescências

Rachel Rosalen : Biografia

 

Este curta desvela a cidade de São Paulo, mas se refere à situação das grandes metrópoles contemporâneas. Monumentum escrito nos corpos. Corpus urbanus densos, elípticos e eróticos, o inconsciente aflora à pele e, tal qual esfinge, encanta e diz: DEVORA-ME E DECIFRA-TE!!!

Foram estudados e escolhidos vários pontos de alta circulação de pessoas e carros, na cidade de São Paulo, a partir dos quais foram filmadas as imagens, tais como Minhocão (Elevado Costa e Silva), Av. Paulista, Av. Faria Lima, Marginal Pinheiros e Av. Consolação.

Nestes pontos foram selecionados vários equipamentos urbanos: paredes cegas, saídas de ar do metrô, pontes, túneis e viadutos (entre outros), nos quais foram sobrepostas digitalmente, imagens de sexo explícito.

O trabalho tem como leit-motiv a questão da cidade como corpo, não qualquer corpo, mas aquele ao qual estamos todos referenciados, uma alteridade da qual o citadino não escapa e que acaba por ser determinante na vida de quem o habita. Neste sentido, torna manifestos conteúdos latentes que aparecem todo o tempo, seja na forma de conceber os espaços públicos, seja em uma das muitas peles que recobrem este corpo, na superfície dos out doors publicitários colocados estrategicamente nos cruzamentos e nas bordas, criando grande parte da paisagem visível das principais avenidas da cidade, ou ainda no recorte sinuoso de uma curva, uma esquina ou um viaduto.

Em contrapartida à paisagem visível e cotidiana, o objeto desta reflexão é a paisagem invisível e subterrânea (subcutânea?).

Portanto, foram selecionados trechos curtos de cenas de sexo. Estas cenas, recortadas e sobrepostas às paredes cegas, formam uma segunda pele que recobre a pele urbana. As imagens das cenas de sexo, utilizadas, não como um todo, mas somente aquilo que não tem sua exibição vetada, os órgãos sexuais feminino e masculino (em ereção) em íntimo contato. Tal conteúdo não poderia ser colocado diretamente no espaço urbano, pois vai contra a lei, a moral e os bons costumes que ditam que, se não é permitido mostrar as "vergonhas" em público, muito menos copular.

É permitido revelar todo tipo de sedução, de apelo onde tais cenas (vetadas) aparecem por metonímia. No lugar do corpo despido da mulher, uma mão em concha por entre as pernas está ali colocada para ocupar o lugar da imagem que a origina. Uma curva acentuada, um vão, uma passagem estreita: não teriam estes elementos esta mesma função? Os monumentos e os edifícios, os arranha-céus cada vez mais elevados também pontuam a sexualidade em questão.

Portanto, trata-se de construir um "dito" através da primeira imagem "não dita" desta cadeia significante, com o que está no fulcro de todas estas outras cenas que lhe são substitutas.

O curta foi realizado para expor fragmentos do real desse corpo, embora revele o próprio imaginário urbano através do simbólico. O imaginário e o simbólico aqui podem ser urdidos em vários níveis, desde a própria representação videográfica, à cena dentro da cena, às imagens sobrepostas a outras imagens, às várias gerações possíveis utilizadas na construção.

Rachel Rosalen

 

 

 

 



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