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A NUMERAÇÃO DOS PRÉDIOS

 

Na paisagem da rua os números são bem menos presentes que as letras. Eles têm como função : orientar a identificação dos imóveis ; indicar as distâncias entre os pontos; estampar os preços praticados pelos comércios ou registrar um número de telefone num letreiro ou numa vitrine.

A numeração dos imóveis serve para que o pedestre se oriente nas cidades, ou se desoriente quando se trata de uma cidade estranha à sua. Apesar do sistema de numeração que separa os números pares de um lado da rua e ímpares do outro ser bastante corrente no mundo, ela está longe de ser a norma .

Muitas cidades têm um sistema de numeração diferente - freqüentemente herdado da história longíqua e por isso nem sempre adaptada às necessidades da cidade moderna -, ou têm um sistema de numeração incompleto ou, às vezes, simplesmente não há qualquer sistema de numeração. Além disso, o aspecto dos números nem sempre é padronizado o que pode acrescentar à confusão de um estrangeiro.


Os sistemas de numeração

 

A necessidade de identificar os números dos imóveis apareceu na Europa e China do século XVIII com o crescimento das cidades. Os endereços continham a indicação da via onde se encontava a casa e uma localização complementar aproximativa. Aqui um exemplo de um endereço parisiense em 1778 : de Sahuguet d’Espagnac, rua Meslé, quarta porta a direita entrando pela rua du Temple.

Primeiro a indicação dos imóveis era necessária para facilitar a orientação na cidade, mas também para permitir ao Estado aplicar com eficácia as fiscalidades ligadas aos imóveis.

A identificação pode ser feita seja por um nome dado ao prédio seja por uma numeração. A numeração apresenta a dupla vantagem de ocupar menos espaço na construção e de permitir de situar um edificio em relação a um outro da mesma rua. Hoje, em algumas cidades , por exemplo em São Paulo ou em Instanbul, o nome dos imóveis residênciais tem uma importância igual ou mesmo superior a da sua numeração.

Numerar os imóveis de uma rua não é tão simples quanto parece.

Primeiro é preciso decidir se a numeração deve estar em cada porta de acesso do prédio ou se somente deve estar na entrada principal do prédio. O primeiro sistema de numeração, que foi aquele de Paris entre 1780 e 1790, apresenta a vantagem de dar um endereço a todos os comércios ocupando um mesmo prédio e de ser mais estável, pois um prédio tem muito menos chance de ser destruído que uma porta.

Em seguida é preciso decicidir por qual extremo da rua começar a numeração. Geralmente a numeração começa pelo ponto mais próximo do centro da cidade, para permitir uma extensão da rua, que naturalmente tende a se fazer em direção à periferia, sem ter que mudar a numeração. Mas não é sempre a partir da orientação da rua que se decice o lugar do primeiro número. Em Veneza, por exemplo, o primeiro número e colocado sobre um prédio de referência de cada bairro (assim, para o bairro, o sestiere de San Marco, é o Palacio dos Dogas que tem o número um).

Outra dificuldade : é preciso recomeçar a numeração a partir do um para cada rua ou adotar uma numeração contíninua para cada quadra ? Essa última solução tinha sido adotada em Paris na Revolução e existe atualmente no Japão onde os bairros, ku, sont divididos em seções, chome, reagrupando várias casas e formando um bloco. As casas são por isso numeradas seguindo o bloco ao qual elas pertencem e não em função da rua.


Enfim, a útima dificuldade a superar : como numerar os imóveis ? Dois sistemas são largamente difundidos :

A numeração métrica, que dá ao edifício situado a 500 metros do começo da rua o número 500, tem a vantagem de permitir uma melhor localização geográfica do prédio, mas o inconveniente de necessitar um contrôle rígido dos poderes públicos que são os unicos aptos a determinar com precisão a distância de uma via. Nas cidades onde a numeração é às vezes feita pelos próprios habitantes, isso pode provocar dificuldade. Esses sistema foi adotado por algumas cidades do Brasil por exemplo.

A numeração alternada, par de um lado, impar do outro. Ela tem a vantagem de ser fácil gerir e de permitir a localização do lado da rua daqual se encontra o edifício procurado. Ela tem o inconveniente de não dar uma idéia da distância de um prédio em relção ao começo da rua. é o sistema contido na França.

A padronização dos números colocados sobre os imóveis apresenta a vantagem de assegurar sua visibilidade, mas ao mesmo tempo ela maltrata o direito legítimo do comerciante de personalizar sua vitrine e o dos habitantes de conservar a homogeneidade estética da fachada da sua habitação. A esse respeito, a oposição entre São Paulo, onde os números não são padronizados, e Paris, onde ele são, é impressionante.

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Aspectos gráficos

 

Que ele seja padronizado ou não, um número de habitação numa rua deve responder à necessidade de legibilidade . Ora, a deforamção, mesmo mínima , de um número pode conduzir a uma informação errônea tanto mais facilmente que as ambiguidades não podem ser superadas graças ao contexto, como no caso das letras. A vantagem da padronização é justamente a legibilidade. Assim, os números dos imóveis parisienses, número branco sobre fundo azul, são particularmente legíveis, mesmo à noite, pois essa combinação de cores reflete muito bem uma iluminação. O inconveniente é uma certa monotonia na paisagem urbana pois as regras não deixam lugar à criatividade.

A padronização dos números da habitação em Paris segundo o artigo 5, da portaria de 27 de setembro de 1982 :

« As placas de números dos imóveis sobre a chambranle ou proximidade serão de forma retangular : sua altura será uniformemente de 17 centimetros, sua largura variará segundo a quantidade de números a escrever. Os números serão brancos sobre fundo azul sem nenhum enquadramento.»

Em São Paulo, as cores, os formatos, o suporte, os materiais empregados para fixar os números são bastante diversos e são fonte de entretenimento constante para o olhar do transeunte sem necessaramente prejudicar a legibilidade:


 

Biblioteca de números

 


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A biblioteca de números do Ruavista tem por objetivo reunir os números que se podem encontrar na rua, em toda sua diversidade e sua riqueza.

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