No Rio, os letreiros pintados são numerosos e muito variados, jà
que são utilizados praticamente por todos os tipos de comércio.
A maioria é bastante comum e se contenta em cumprir seu oficio:
sinalizar um comércio ao transeunte.
Alguns se
destacam da paisagem pela falta de qualidade (letras pintadas sem precisão,
nem sempre legivel e as vezes com erros ortograficos), pela ingenuidade
ou pelos caracteres exagerados (letras enormes, cobrindo todo um muro,
pintadas com cores muito vivas).
Os outros,
mais raros, se destacam por sua qualidade artistica.
Pouco
tempo depois de me mudar para o Rio, eu descobri maravilhado, numa lanchonete
proxima a minha residência, um letreiro pintado anunciando as especialidades
da casa. As cores formavam uma perfeita harmonia, as letras pareciam ter
relevos e as palavras não eram mas palavras, e sim imagens de um
quadro, que alias era assinado, "Paulinho Artes". Eu logo percebi
que as obras de Paulinho estavam espalhadas por toda cidade e eu me pus
então a ver o Rio como um grande museu um pouco desordenado.
Desejando
saber mais, telefonei ao Paulinho que calorosamente me convidou a visitar-lhe
no seu ateliê, situado no bairro de Madureira - terra do funk e
do samba, Meca do comércio popular. O ônibus havia me deixado
a alguns quarteirões do ateliê e eu pude constatar no caminho
que o talento de Paulinho não deixava muito lugar a concorrência:
a grande maioria do comércio do bairro utilizando letreiros pintados
tinham recorrido a seus serviços.
É
dificil não notar o ateliê de Paulinho: ha painéis
coloridos sobre praticamente toda a fachada e até sobre calçada
anunciando o os preços(o
preço se calcula em metro de faixa, a partir de 2,99 reais no ateliê
de Paulinho) e exibem slogans tais como Sem propaganda não ha sucesso
ou ainda Você fez faixas e não vendeu seu produto BEM FEITO!
Quem mandou fazer com quem não sabe.
O
talento de Paulinho é sem duvida sua melhor publicidade, mas a
concorrência no mercado é forte. Não somente os pintores
de propagandas são numerosos no Rio, mas também, é
preciso competir com a concorrencia de procedimentos automaticos, como
os adesivos. Em se tratando dos comércios, eu imaginava que, no
Rio, a publicidade pintada estava perdendo terreno para os adesivos e
os painéis impressos. Paulinho me explicou, todavia, que não
teme esta concorrência, certamente em razão dos preços
da propaganda pintada serem, segundo ele, 30 inferiores.
O ateliê
de Paulinho não é muito grande, mas é bem organizado.
Duas grandes mesas de trabalho. Um canto onde são arrumados os
pincéis e as pinturas e, ao fundo do ateliê, uma pequena
mesa onde são estocados as telas virgens e pinduras as encomendas
a realizar.
As encomendas
são numerosas e Paulinho trabalha sem descanso para poder executa-las
de um dia para o outro. No ateliê, encontrei o Dom, grafiteiro e
designer de camisas, amigo do Paulinho, que ali aperfeçoa seus
talentos observando o Paulinho trabalhar e dando uma mão de vez
em quando. (clique aqui para ver as camisas
e os desenhos de Dom).
O
estilo ùnico do Paulinho, que alguns tentam copiar, é o
resultado do seu talento, e de mais de quatro anos de aperfeiçoamento
e de descoberta, mas também de observação do trabalho
de outros pintores de letreiros no Rio. Ele reconhece ter sido influenciado
por um deles, Odair, que parece não estar mais em atividade e doqual
eu não encontrei nenhuma obra nas ruas do Rio, e por alguns grafiteiros,
certamente por dar mais relevo às letras. O gosto e o talento do
Paulinho para a pintura são um dom que ele tem desde a infância.
Aprendeu as técnicas da fabricação de letreiros observando
os pintores trabalhar.
No
México, os pintores comerciais são chamados de rotulistas.
No Brasil, essa palavra não tem equivalente. Por isso, eu perguntei
à Paulinho como se chama sua profissão e ele me respondeu
o óbvio: ele é artista, e é preciso fazer bem a diferença
entre os artistas e os letristas, os pintores de letras, que recebem uma
formação profissional especifica e que se contentam de pintar
letras, sem nenhum efeito artistico.
Eu compreendi
perfeitamente a diferença entre um letrista e um artista vendo
Paulinho trabalhando. Ele me explicou que se preocupa pouco com que as
letras estejam todas rigorosamente da mesma dimensão, pois o que
conta é o equilibrio e a impressão geral, assim como num
quadro.
O
pedido do cliente se resumo geralmente às informações,
ao tamanho e aos slogans que ele pretende usar no letreiro ou no painel.
Cabe a Paulinho decidir a composição, as cores e a tipografia,
respeitando um duplo imperativo: por um lado, é preciso respeitar
um estilo próprio a cada comércio ou serviço; por
outro, é preciso que o letreiro atraia a atenção
do transeunte e lhe comunique rapidamente todas as informações
que ele contém.
E esta ai
todo o talento de Paulinho: respeitando todos os imperativos técnicos
ele faz de cada um de seus letreiros uma obra de arte.
No
painel anunciando um culto de uma igreja, Paulinho utilisou, para reforçar
a sobriedade, um fundo branco, mais sobrio que o fundo amarelo, e não
usou nenhum desenho e nem motivo. Devido a quantidade de denominações
de igrejas no Brasil, ressaltar o nome dela é muito importante,
por isso as letras foram pintadas em vermelho, sublinhadas em amarelo.
Assim, elas se destacam perfeitamente no fundo branco.
A mensagem Jesus Cristo é o Senhor só podia ser colocada
no auto do painel. As informações sobre os cultos são
muito legiveis: preto para os horários, azul para o dia e o tipo
de culto. Para dar mais vida ao conjunto da obra e atrair mais atenção
do transeunte, Paulinho pintou um grande ponto de exclamação
após o slogan Venha, Jesus tem uma benção para você
e, para romper a horizontalidade do letreiro, pintou a palavra "cultos"
inclinada.
.
Paulinho
Artes
Rua João Vicente, 403
Madureira
21340-020
Rio de Janeiro - RJ
Tel : +21
2464 6671
e-mail: paulinhoartes@yahoo.com